Campeonato da LPB - 8ª J: SC CAB Madeira 90-83 FC Porto

Super Dragão
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Re: Campeonato da LPB - 8ª J: SC CAB Madeira 90-83 FC Porto

Mensagempor Booth » 29 nov 2017 00:59



Eu vi ontem a 2ª parte do jogo e parece-me que estão enganados.

Primeiro, não vi nada de anormal nas reacções ou linguagem corporal - o jogo estava decidido há muito e mesmo que o PD seja importante, em termos emocionais é completamente diferente, o Porto teve quase sempre mais de 8 pontos de avanço durante quase todo o último período, quase sempre vantagens de dois dígitos nos últimos 5 minutos. As reacções de que falas houve quando o Sasa tem um lançamento em que faz 2+1 e mete o jogo a 13, acho; e depois no triplo do Gilbert. Depois houve aquele desconto de tempo último que tornou festejos mais "espontâneos" inviáveis e despropositados - o próprio público gritou e festejou bem mais antes disso. Aliás, o Gilbert ter concretizado o segundo LL também não ajudou, mesmo sem o timeout. E o oponente era uma equipa mais ou menos do mesmo nível - um bocado melhor, mas não há uma diferença gigante. Eu achei tudo perfeitamente normal.

Segundo, já vi os jogos todos da Fiba Cup e não vi uma equipa preguiçosa, ou fora do controlo do treinador, ou sem espírito de sacrifício. Bem pelo contrário. Vi jogadores consistentmente a irem ao chão para ganharem bolas e a lutarem nas tabelas e a sprintarem para defender. Nenhuma equipa com problemas de motivação faz isto. A primeira coisa que os jogadores protegem em casos desses é o corpinho.

Vi sim uma equipa que acumula alguns erros individuais e colectivos mas, a meu ver, a explicação não passa por falta de empenho ou de controlo do treinador. O Jorge Castro mencionou o cansaço acumulado e aos jogos a meio da semana - e eu concordo que o assunto passa essencialmente por aí. E não é apenas o cansaço físico; arrisco-me a dizer que nem é principalmente o cansaço físico: é por um mês em que a equipa não fez mais nada senão jogar.

Entre o jogo da 1ª mão com os Israelitas e o último jogo, o Porto teve 14 jogos em 42 dias, incluindo deslocações a Israel, Montenegro, Finlândia, Madeira, São Miguel e Terceira (e Lisboa). E nos 30 dias antes do último jogo, teve 11 jogos, incluindo todas essas deslocações menos Israel. Isto é um ritmo alucinante, para mais quando provavelmente viajaram sempre em voos regulares e provavelmente sem voos directos e com transfers longuíssimos nessas viagens para a competição europeia (posso estar enganado, alguém me corrija, mas mesmo com charters a melhoria é marginal). É certamente um impacto brutal na planificação do treinador - quantos treinos a sério a equipa teve nos últimos 30 dias? 3 dias para cada um desses 5 jogos no estrangeiro e ilhas são 15 dias. Dois dias para cada um dos outros seis, jão são 27.

É quase um ritmo NBA, onde as equipas podem passar semanas sem terem treinos em conjunto - na NBA fazem 15 jogos em 30 dias e não apenas 11 e as distâncias podem ser bem maiores, mas quando andam na road, após o jogo têm um avião privado à espera, onde podem descansar e dormir confortavelmente. Passadas umas horas, já estão num hotel (ou em casa). E as equipas técnicas da NBA têm adjuntos e athletic trainers e carradas de scouts e video coordinator e analistas estatísticos que ficam em "casa" a trabalhar quando a equipa anda a viajar - o head coach comunica com o video coordinator logo no avião, diz o que quer, e logo no dia a seguir de manhã, tem a análise do jogo para mostrar os jogadores, tudo dissecado, com números e as jogadas que quer mostrar, etc, mais o filme do próximo adversário, os scouting reports individuais, etc; e têm um adjunto para trabalhar individualmente com este ou aquele jogador, outro para preparar treinos físicos, etc. E claro, o talento dos jogadores torna muito mais fácil corrigir problemas de execução sem precisar de recorrer a dezenas de drills e horas no court a martelar-lhes o quê/como/quando/porquê.

No caso do Porto não há nada disso. Os tipos que estão no banco a dar ordens durante o jogo, e que depois têm umas viagens longas e chatas pela frente, com transfers e escalas, também têm de fazer isso tudo, analisar o jogo, preparar treinos, observar o próximo adversário, etc.

Mesmo admitindo que tenham extraído conclusões dos jogos e soluções para resolver problem as, como é expectável que consigam passar seja o que for aos jogadores quando entre viagens, jogos e descanso, têm 1, no máximo 2 treinos por semana, que provavelmente até foram dedicados à preparação e recuperação física? Eu identifiquei pontos problemáticos que foram comuns a todos os jogos e que deveriam ser corrigíveis, ou pelo menos atenuados - tipo a defesa do pick'n'roll em que a execução é por vezes terrível e em alguns casos há jogadores completamente perdidos, ou, sei lá, os passes para a floppy action do Marcus Gilbert (aqueles curls que ele faz a partir de bloqueios) saem sempre 1 segundos antes do ideal, etc - mas não posso culpar o treinador de não ter corrigido isto porque com um calendário destes é completamente impossível.

Equipas com a estrutura do Porto (não só, e não principalmente plantel, mas tudo o que o rodeia) não estão formatadas para este tipo de calendário. Por isso eu teria muita cautela em retirar quaisquer conclusões nesta fase. Já o teria ao fim de apenas 15 jogos; mas 15 jogos nestas circunstâncias não dizem nada de útil.

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